O Senhor Deus de Israel dirigia a sorte terrena da Sua tribo. É um Deus ciumento e não tolerava que o Seu povo tivesse outros deuses além Dele. Os profetas antigos eram líderes políticos que passavam boa parte do tempo reprimindo o culto a outros deuses por medo de incorrer no desagrado de Iavé e pôr em risco a coesão social dos judeus. Esse caráter nacionalista e tribal da religião judaica foi intensificado por uma série de desastres nacionais.(...)
21 outubro 2007
O Senhor Deus de Israel dirigia a sorte terrena da Sua tribo. É um Deus ciumento e não tolerava que o Seu povo tivesse outros deuses além Dele. Os profetas antigos eram líderes políticos que passavam boa parte do tempo reprimindo o culto a outros deuses por medo de incorrer no desagrado de Iavé e pôr em risco a coesão social dos judeus. Esse caráter nacionalista e tribal da religião judaica foi intensificado por uma série de desastres nacionais.(...)
15 outubro 2007
Não imagino o dia seguinte.
Não lembro do último dia.
Não penso, só sinto.
É difícil ter medo. Algo assim, um frio que sobe pela coluna, uma dor na garganta, um choque que percorre o corpo. Medo transformado em dor, pavor, agonia.
Sentimento terrível que contamina a vida da gente e ocupa todos os espaços. Transforma o viver num sobreviver, consciente de sua fragilidade.
Fraca, fraca, fraca.
Não importa o cansaço ou o sono. Não se pode dormir com o coração disparado.
27 agosto 2007
Três horas da tarde. O Sol, ainda forte, bate na janela e entra, atravessando o vidro, batendo no chão, esquentando o quarto. Na cama, está ela. Deitada sobre as cobertas, de camiseta larga e branca, de short curto e fresco, a cabeça coberta pelo travesseiro, as pernas esticadas, um dos braços ao lado do corpo, o outro sobre o travesseiro, a mão pesando sobre o lado do rosto.
Quente. O calor toca cada parte do corpo dela, e ela teme a sensação desagradável de suar. Lá fora, debaixo do sol forte, sem camisa, alguém devia estar correndo, o corpo todo molhado e mal cheiroso, ao mesmo tempo que brilhante e fresco. E essa pessoa provavelmente chutaria uma bola, sujando de poeira o tênis surrado, e em seguida gritaria, bem alto, “goooool!!!!!!!!!”, enquanto um goleiro mal humorado resmungaria algum palavrão consigo mesmo.
Mas dentro do quarto não chega o grito, não chega o palavrão, não chega nada além do piar insistente dos passarinhos perto da janela, e do barulho incessante dos carros passando na rua
Um, dois, inspira. Três, quatro, expira. E lá fora, alguém com o peito e as costas nuas respira de boca aberta, ofegante, enquanto rouba a bola de mais um adversário. Dribla um, dribla dois, passa para o companheiro de time, e ela respira fundo, alheia a tudo isso, tentando esfriar a cabeça, tentando pensar no que fazer.
Mais um gol, e mais outro, e talvez até mais um. Mais nenhum daquele jogador, e nem sempre de seus companheiros de time. Ela aperta os olhos com força. Vira a cabeça, contorce o corpo. Sente sede. E alguém em outro lugar, também sente. Escorrega, machuca-se um pouco, e no meio da nuvem de poeira que se ergue a seu redor, percebe, pela primeira vez desde que o jogo começou, que o dia está quente.
Sentam-se. O sol já bate nas pernas dela. Baixou mais.
Quatro horas.
Ela põe os pés no chão, levanta-se e senta-se de novo. Tontura.
Ele segura uma mão que lhe estendem e levanta-se. Cai de novo. O pé dói.
Ela levanta-se de novo. Põe a mão na parede, segue em direção a porta, tontura, visão escurece, joga o corpo contra a parede, a visão clareia, continua andando.
Ele levanta-se de novo. Apóia a mão no ombro do colega, levanta o pé, vai mancando e pulando num pé só em direção a grama e aos amigos que assistem ao jogo, o passo falha, ele cai e se levanta, continua andando.
A mão fecha-se na maçaneta. A porta é aberta, o barulho de passos desritmados segue até ela alcançar a cozinha, a visão cada vez mais clara, as pernas mais firmes. Enche o copo de água gelada, engole e se sente bem, enquanto um rapaz com o pé machucado, sentado na grama, engole água morna de uma garrafa, sentindo tanto ou mais prazer.
E nesse instante, seja lá por qual motivo, um pensa no outro. E ele engole a água com mal humor, sentindo-a amarga, e encara o pé machucado como se ele fosse o culpado de tudo. “Sabe, se eu não tivesse escorregado, eu poderia continuar jogando, com a cabeça vazia, livre”. E é esquecendo novamente dele, e do dia anterior, e de toda a frustração, mágoa, arrependimento, que ela vai para a sala ler.
O sol desce mais, e muitos relógios marcam quatro e quinze.
17 julho 2007
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=117
04 julho 2007
na verdade
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
eu costumo achar
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
que nao dá pra passar um bebe por baixo nunca
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
xD
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ahahahhahahahaha
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
mas tem q passar
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
se não
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
como é q as mulheres davam a luz
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
antes de existir césaria
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
elas arrotavam os bebês?
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
XD
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ou vomitavam
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
sei lá
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
XD
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
já pensou?
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
kkkkkkkkkkkkkkk
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
nosso maxilar ser q nem de cobra?
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
HIUAHisuhuiaSiuaiushaiHa
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
q desmonta e remonta depois
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
?
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
HIUAHsiuhaIUSaiUHsahsA
ecati
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
aí a gente vomitava o bebê
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
XD
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
ter um filho bomitado
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
imagina
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ahahahahhaha
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
o alongamento
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
bom
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
que ia ter que ter
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
do jeito q é
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
sua faringe
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
xD
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
num é mto menos pior
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ao menos, eu num acho
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
preferia vomitar
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ao menos
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
o pobrezinho num saía
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
por entre o lugar onde eu faço xixi e o do cocô
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
o.O eu acho que nao gostaria de ter um bebe saindo pela minha boca nao
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
O_o
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
ah claro
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
e eu nunca mais iria conseguir comer nada
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
ao lembrar
[b][c=#800080]Denise [/c][/b] diz:
que saiu um troço da minha boca
Bárbara [c=4][a=57]ΩΩΩ Super Ohms ΩΩΩ[/a][/c] diz:
ahahahahhahaha
04 maio 2007
Todo dia, no caminho para escola, estou ouvindo a mesma playlist, então, como eu sou muito à toa, resolvi vir aqui postá-la e sugerir que vocês ouçam as músicas. São todas ótimas. ^^
1. You Know My Name - Chris Cornell
Abertura do 007 - Casino Royale. E para ser sincera, a única coisa que presta naquele filme.
2. Democracy? - The Damned
Música na linha "anarquista-pacifista-pessimista".
"'Cause revolution changes nothing
And voting changes even less"
3. Not If You Were The Last Junkie On Earth - Dandy Warhols
Algo divertido. E se quiser parecer cool, coloque uns piercings e vire gay, mas usar heroína é tão passé.
O Raul é um amigo meu que toca piano e canta. Ele fez dois covers de Dresden Dolls, e esse daí é o melhor.
Minha música preferida da bandinha mais pop do mundo pseudo indie.
Música super fofa do Beck. No meu caso, a identificação é imediata no refrão “I think I’m in love, but it makes me kinda nervous to say so”.
7. Nausea – Beck
Eu realmente não entendo o que me agrada tanto na sonoridade das músicas do Beck. Mas nas letras é fácil perceber. São geniais, confusas, e de fácil identificação. Sei lá porquê, mas são.
8. Ever Fallen In Love? – Buzzcocks
Essa banda é linda. Sim, sim, linda. Punk no estilo antigo, como deve ser. E a letra meio clichê, mas essa é mais pra preparar para a próxima música da playlist.
9. Boredom – Buzzcocks
Minha música preferida da banda. Tirando os solinhos agudos, que por algum motivo, ficam mais altos que o resto da música toda, e sempre estouram os meus ouvidos. Eu fico com a mão no volume para diminuir quando começam e aumentar logo depois.
E a letra é ótima. É cínica, fria, direta, cortante como uma navalha. Me lembra um tiquinho Sex Pistols, embora não seja nem uma tentativa de ser politizada. Trata de algo bem normal e pessoal – tédio.
10. Never There – Cake
A primeira vez que ouvi essa música foi quando achei o clipe dela num computador que, definitivamente, não deveria tê-lo. É bem legal, meio country, mas com um vocal quase falado. E se tiverem a chance, assistam o clipe. A música ganha um gostinho especial depois disso.
11. Nothing I Haven’t Seen – Beck
Metade das vezes que ouço essa playlist, pulo essa música achando ela a mais chata de todas. Matade das vezes, ouço ela me identificando e adorando. Só que essa segunda metade é quando estou deprimida, porque ô melodia chata... O refrão é ótimo, vale para mil situações, e é algo que as pessoas nem notam tanto, então não virou clichê ainda. (“It’s nothing that I haven’t seen before, but it still kills me, like it did before”)
Enfim, ouçam e tirem suas conclusões.
12. Loser – Beck
A música que me fez gostar de Beck. Animada, divertida, letra confusa do jeito que eu gosto, mais falada que cantada, e com um verso em espanhol no refrão. (Curiosamente, eu gosto disso. Gostei de Single, do Pet Shop Boys, e uma das coisas que me agradou foi a mistura de inglês e espanhol.)
Uma das poucas músicas da playlist que não é realmente especial para mim. Mas é divertida ainda assim. Afinal, é Daft Punk.
14. I Disappear – The Faint
Teve uma época em que eu amava The Faint e ouvia essa música compulsivamente. Tem algo na distorção que eles usam na guitarra, e nas linhas de baixo que eles tocam, que realmente me impressiona em TODAS as músicas dessa banda. E eu adoro essa letra. Fala sobre perder o controle de si mesmo. (Minha mãe disse que parece que narra como é estar drogado.) E tem a parte em que a música diminui o ritmo, fica mais calma, menos guitarras, mais música eletrônica, e vem ele falando “How could I resist? It’s all I wanted and now I’ve guess I got it. Why it happened I don’t know. Hope this doesn’t last forever.” Acho genial, tentação, desejo e arrependimento, tudo de uma vez.
15. Dropkick The Punks – The Faint
Totalmente diferente de todas as músicas do Faint que eu conheço. Muito mais Punk Rock. Aliás, tenho até dúvidas se é deles mesmo, embora o baixo e a guitarra me impressionem como nas outras. É divertidíssima. E a letra é praticamente uma descrição do que seria ser punk, uma viagem por esse universo. Por motivos pessoais, eu gosto do verso “Hoist the antenna & pirate the waves.”
Minha música preferida do NoFX. Como eu ouço pouco essa banda, e não gosto da maioria das músicas, isso pode parecer não significar muito, mas eu realmente amo essa música. Prestem atenção na letra e me entenderão. (E que esses dinossauros em especial, morram. Extinção nunca pareceu tão bom.)
17. Don’t Give Up – The Noisettes
Tenho ouvido muito essa banda atualmente. Gosto do instrumental dela. Acho que tem o que eu gosto do instrumental de Dropkick the Punks. E o vocal é lindo. Alguma coisa no jeito como essa mulher canta lembra um pouco a Janis Joplin, passando de tons médios a agudos rapidamente.
18. Blues From Down Here – TV On The Radio
Quando ouvi as músicas dessa banda, não achei graça. Dali a alguns dias, estava com essa música na cabeça. A letra dela é muito forte e irônica. E o vocal é totalmente perfeito. É o encerramento perfeito para a minha playlist diária.
28 março 2007
Estudantes ocupam o Plenário da Câmara Municipal de BH pedindo pelo Meio-Passe
Hoje, 28 de março, foi feita uma manifestação pelo direito dos estudantes ao meio-passe nos ônibus de BH, que é a única capital do Brasil onde os estudantes não tem nenhum tipo de benefício em suas passagens (por isso, um dos refrões cantados pelos manifestantes é “Meio passe já! Só falta BH! Mas que vergonha!”).
Ao mesmo tempo em que havia uma passeata do lado de fora, partindo da Praça Sete, foi feita uma invasão a Câmara Municipal. Nós, estudantes, chegamos em ônibus alugados por nossas respectivas escolas e entramos no prédio, encontrando certa resistência por parte dos seguranças, que tentaram fechar as portas. Alguns dos estudantes foram agredidos, mas conseguiram abrir as portas e segurá-las abertas até que houvesse muitos manifestantes do lado de dentro. Então seguimos para o plenário, cantando os refrões típicos destas manifestações.
O local estava lotado de estudantes e, embora fôssemos pacíficos, os seguranças tentavam inutilmente nos controlar ou nos expulsar. Havíamos feito uma “faixa” (com pedaços de papel colados com durex) e colocado cabos de vassoura dos lados para segurar, e um segurança os arrancou. Algum tempo depois, a polícia militar apareceu e ficaram alguns na porta. Ficamos sabendo que a passeata havia chegado do lado de fora com aproximadamente mil estudantes. Tínhamos planos de só sair quando o meio-passe fosse aprovado, fosse preciso o tempo que fosse.
Ficamos ali, cantando, ouvindo os discursos de nossos companheiros, e fazendo e colando cartazes, enquanto a fome, a sede e a vontade de ir ao banheiro aumentavam. Mas não podíamos sair, porque, se o fizéssemos, a polícia nos impediria de voltar. Por fim, um vereador nos disse que nós podíamos ir ao banheiro. Algumas pessoas foram, mas não conseguiram voltar. Uma dessas, Amanda, que havia deixado a mochila dentro do plenário, disse que ao voltar, o tenente Guilherme lhe disse que não poderia entrar novamente, ao que ela respondeu que precisava pegar suas coisas. Como resposta, ouviu que se não saísse por bem, seria por mal, e que os policiais tinham quatro cachorros que podiam soltar contra ela. Enquanto ela protestava inutilmente, um vereador saiu da câmara, conversou com ela e levou-a para um lugar seguro, onde ela pode ficar escondida até conseguir voltar à manifestação, mais tarde. A amiga que estava com ela não pode voltar, e teve que ficar do lado de fora, junto dos estudantes que participaram da passeata.
Após algumas horas, conseguimos, enfim, direito a ir ao banheiro e a beber água, mas continuávamos passando fome, pois o acesso à cantina nos havia sido negado, e todos que tentavam entrar no prédio com comida eram barrados.
Às 10h30, uma comissão de estudantes se reuniu com o líder da câmara e com os vereadores que apoiaram a nossa iniciativa. Discutiram um prazo para a votação do projeto e combinaram uma segunda reunião, às 17h, com a representante da prefeitura, para discutir a possibilidade de se fazer um decreto. Como havia 54 projetos vetados cujo veto deveria ser votado novamente, antes do projeto do meio-passe, foi decidido que a Câmara trataria destes o mais rápido possível, e votaria o nosso projeto no dia 16 de Abril.
Por volta de 11h30, boa parte dos estudantes do Coltec, escola com mais alunos ali, saíram, pois esta era a hora marcada para a volta do ônibus alugado. Algum tempo depois, saíram quantidades significativas de alunos de outras escolas, mas, mesmo que muitos tivessem ido embora, ainda havia muitos estudantes, o que apenas demonstrava que a quantidade de invasores havia sido realmente grande.
Os manifestantes que ficariam durante a tarde, assinaram uma lista, de modo que se soubesse a quantidade de alimentos necessários. Porém, ainda demoramos muito tempo até conseguirmos comida para todos. Alguns estudantes conseguiram uma marmita, e uma menina apareceu com uma sacola cheia de bananas, que distribuiu por aí, mas ainda não tínhamos acesso a cantina, nem o direito de entrar com alimentos. Ficamos lá, famintos, sentindo o cheiro forte do café dos funcionários.
Por volta de 14h15, subimos para a galeria, em cima do plenário, de onde poderíamos assistir a esse. Pouco tempo depois, finalmente, conseguiram trazer comida, e todos comemos pão com salame (embora alguns tenham optado só pelo pão). No entanto, os seguranças vieram nos dizer que não podíamos cortar o pão, porque estávamos usando faca, e não podemos usar faca ali.
Quinze minutos depois, era o horário marcado para o início do plenário, que não pode começar a menos que se tenha um mínimo de 22 vereadores. Mais quinze minutos depois, havia apenas sete.
Ficamos cantando e gritando até que o plenário começasse. Alguns seguranças entraram mais uma vez, e disseram que os instrumentos que nós tínhamos (um violão e alguns tambores), deveriam ser guardados, porque uma vez um louco jogou um instrumento musical lá embaixo.
Instrumentos infelizmente guardados, nós continuamos cantando, observados pelos olhos curiosos dos vereadores, que, em algumas músicas, chegaram a dançar, e em outras, a rir (“Meio passe não é esmola! O filho do prefeito vai de carro para escola!”).
Até às 15h, quando foi a abertura do plenário, havia chegado 29 vereadores e a plenária começou, sendo que logo havia um total de 34. O primeiro projeto apresentado foi sobre estacionamentos de Shoppings Centres. (Se compradores e vendedores deveriam pagar... Foi vetado.)
Ficamos assistindo eles votarem em diversos projetos, alguns úteis, a maioria irrelevante, enquanto tomavam seus cafés. (Algum tempo depois, nossas bocas secas receberam refrigerantes Del Rey, por parte do movimento.) Em certo momento, eles chamam os vereadores que nos apóiam para falar sobre o meio passe. Eles nos parabenizam, apontam o quanto fomos pacíficos e respeitosos, e falam sobre o projeto. Depois, mais dois vereadores vêm falar, e ambos nos cumprimentam pela manifestação e pelo respeito, mas falam que nossos esforços são inúteis, pois questões de tarifa são com o poder executivo. Anos antes, eles votaram a favor do mesmo projeto e este foi vetado pelo prefeito de então. Não adianta nada aprovar lei de meio-passe na Câmara se o prefeito vai vetá-la logo em seguida.
Enfim, continuei lá até as 16h30, quando ainda faltavam 30 itens antes do projeto do meio-passe. Quando saí, ainda havia mais de 50 estudantes, mas não estava realmente cheio, como os policiais militares, armados de porretes, disseram para os estudantes do lado de fora que desejavam entrar.
23 fevereiro 2007
03 janeiro 2007
Era tudo em que ela podia pensar enquanto mergulhava no abraço dele, sentia seus braços cobrirem-na, se afundava naquele calor, e se afogava naquele sentimento...
"É, eu o amo."
E então o sol aparecia. Um ponto brilhante no horizonte, queimando o mar. E ela se lembrava de porquê estava ali e do que deveria fazer.
- Eu sinto muito. Adeus.
Horas depois, um homem de negócios fazendo sua caminhada matinal veria o corpo caído sobre a areia, se aproximaria e veria todo o sangue. E só então seria chamada a ambulância. Mas é claro que seria tarde demais.
Ninguém vira quando ele morrera. Afinal de contas, acima de qualquer coisa, naqueles instantes, ela havia amado o silenciador de seu revólver.
Texto que eu escrevi há muuuuuuito tempo...