25 outubro 2008

Have you ever felt like you needed to go on vacation?

It's been a time now that this is all I think about.
I'm not talking about laziness, having nothing to do so I can do all the stupid things I do when I've got nothing to do. I'm talking about getting rid of all my vices - of getting the time I need to force me to work
.

I'm in great need of a PLAN.
I need to be disciplined at least once in my life.
Like a lil' robot. I need to do what I'm programed to do. And I gotta be my own programer.

I gotta review, and then plan, and then, do it.

Does anybody think I got what it takes?

29 setembro 2008

Era um túnel escuro, úmido e sujo. Eva hesitava em sua entrada. Ali fora, outras pessoas brincavam e corriam ao sol. A grama era verde e macia. Um riacho de águas puras e cheias de peixes cortava o vale. As pessoas corriam e riam e, por vezes, tropeçavam e choravam.
Eva corria há anos pelo vale. Não conhecia cada parte dali, cada pessoa, cada besouro, cada peixe, cada arbusto. Mas conhecia o suficiente para se entediar e querer ir além. Seus companheiros não se sentiam assim. Depois de um tempo, as coisas ficavam chatas, mas enfrentar as montanhas e sair do vale seria estúpido. Afinal, todos sabiam o que havia lá e não era algo que se pudesse enfrentar. O fato de que cada um acreditasse que existia algo diferente não impedia que o medo e desinteresse fosse geral. Quer houvessem leões ou um abismo, fosse um inferno gelado ou um lago sem fim, não era nada para os habitantes do vale.
Algumas pessoas ousaram sair. Algumas voltaram, outras não. Mas cada uma que voltava, contava uma história diferente e incompatível.
Ninguém, no entanto, entrava no túnel. Eva não sabia porquê, mas ninguém queria ir lá.
“Para quê? Só deve haver terra e sujeira lá!”
Mas, agora, ela estava prestes a entrar. Não porque quisesse, mas porque, sem querer, deixara seu casaco cair lá. Não poderia enfrentar as montanhas geladas sem ele.
“Esqueça isso! Você não deveria viajar mesmo!”
Era isso. Ela respirou fundo e entrou.
Seus pés afundavam na imundice e seus olhos custavam a se acostumar à falta de luz. Ela tropeçou e se apoiou na parede. Sentiu lama e sujeira úmidas grudarem em seus dedos. Ouviu um rosnado à frente.
Forçando a vista, viu um urso deitado, segurando seu casaco debaixo da pata. O túnel continuava atrás dele e havia alguma luz fraca, assim como algo brilhante nas paredes e o ruído distante de água. Ao mesmo tempo em que sua curiosidade aumentava, o animal ergueu-se rosnando ameaçadoramente.
Ela saiu correndo e tropeçando e chegou de volta a entrada. Sentou-se em um tufo de grama sob o sol forte e ficou ali, tremendo e soluçando, por um longo tempo. Seu plano de sair do vale foi adiado por anos e ela nunca esqueceu do vislumbre de luz no fim do túnel.

17 setembro 2008

Software cria músicas a partir de modelo de canção
Qua, 17 Set, 08h47
Por Rodrigo Martin de Macedo

Uma dupla de cientistas da Universidade do Sul da California, nos Estados Unidos, desenvolveu o Automatic Style Specific Accompaniment (ASSA, ou acompanhamento automático para um estilo específico, em tradução livre), um software que cria um acompanhamento para as músicas de qualquer artista.
A dupla composta pela professora e pianista Elaine Chew e o guitarrista PhD Ching-Hua Chuan utilizou as teorias de progressão harmônica elaboradas pelo acadêmico alemão do século XIX Hugo Riemann para analisar a estrutura de músicas das bandas Radiohead, Green Day e Keane, noticiou o site TechRadar.
Com a análise de três ou quatro canções, o software então criou um acompanhamento que pode enganar os ouvintes entre 70% e 80% do tempo. O trabalho, ainda em pesquisa, receberá um protótipo interativo em C++ ou Java, permitindo futuramente ao usuário reproduzir músicas que serão utilizadas na criação de novos acompanhamentos.
Informações técnicas do projeto podem ser lidas em um arquivo PDF, em inglês, divulgado pelos autores no link tinyurl.com/67sj8t.
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/080917/7/gjsk61.html

A cada dia, aquela música do Nação Zumbi se torna mais verdadeira: computadores fazem arte, artistas fazem é dinheiro.

08 setembro 2008

I felt like I’d die. But as my blood stopped getting out and my sight returned, I knew it wasn’t coming that day. It’s a lil’ naïve, perhaps, to think everything will be fine as it ends, but that’s what he told me then, and I couldn’t avoid believing. He saved my life. I don’t know him, and I don’t even remember his name – even thought I remember it was written in the id on his chest in black and bold letters – but I trust him because he told me I’d live and I lived.
It’s been two weeks since the car accident and my lungs still work, as well as my fragile heart. The hospital is made of soft and light colors, dancing before my eyes, and I keep getting sicker and sicker. I dream while I’m awake. I dream of blood, and glass, and metal, and I scream and cry for help.
The doctor told me I was going to be okay, but my mother was crying last time she came. She held my hand and told me I’d be safe because she was there and she’d take care of me. She wanted to stay at night but I asked dad to take her home so I could be alone and he did it.
It’s all fine. I’m writing some letters I wish they’ll send when I’m gone, and I’m always happy – except when the fever and the visions come back, of course. When it’s all fine I’ll go, as the guy from the ambulance told me. Until then, I only have to wait. I’m excited and anxious. I keep telling myself this. Just a few days yet.

05 setembro 2008

"Malgrado o que sustentam todas as teorias e todos os partidos políticos, nenhuma revolução pode lograr êxito verdadeiro e duradouro se não se opõe ferozmente à tirania e à centralização, se não luta com determinação para passar na peneira todos os valores econômicos, sociais e culturais. Não se trata de substituir um partido por um outro a fim de que ele controle o governo, nem de camuflar um regime autocrático sob slogans proletários, nem mascarar a ditadura de uma nova classe sobre uma classe mais antiga, nem se entregar a manobras quaisquer nos bastidores do teatro político. Trata-se, sim, de suprimir completamente todos os princípios autoritários para servir a revolução."

GOLDMAN, Emma. A Revolução Social.

02 setembro 2008

"O povo consente porque é persuadido da necessidade da autoridade; inculcam nele a idéia de que o homem é mau, virulento e demasiado incompetente para saber o que é bom para ele. É a idéia fundamental de todo governo e de toda opressão. Deus e o Estado só existem e são sustentados por causa dessa doutrina."
GOLDMAN, Emma. O Indíviduo, a Sociedade e o Estado.

30 agosto 2008

Ano passado, pedi um sombrero de aniversário. Ninguém me deu. Então, esse ano, resolvi publicar uma lista completa com diversos possíveis presentes, para todo mundo saber o que me dar, e, se alguém não quiser (e preferir juntar 20 pessoas para comprar um presente caro e incrível para mim) tem sempre outra pessoa que pode ver a lista e me dar o que eu pedi. Praticíssimo.

  • sombrero
  • bengala (de madeira)
  • ioiô
  • tridents sabor canela
  • lanterna (que caiba em uma bolsa)
  • caneta Bic vermelha
  • hq ou mangá p&b colorido com giz de cera ou lápis de cor por uma criança ou alguém que não sabe colorir
  • marcador permanente (canetão)
  • tatuagem que vem em chips
  • bala chita
  • presilha/tic-tac preta/o
  • anel prateado (que não fique largo)
  • tridents sabor morango
  • palheta (para baixo)
  • solda
  • ebook de Clube da Luta
  • sonho de valsa
  • pote de ouro do fim do arco-íris

09 agosto 2008

Se eu dissesse que o esperei a tarde toda, será que me olhariam com piedade? A tarde toda, desde o almoço até pouco depois do sol se pôr. E então, tímida, eu fui pra casa. Todos os olhares que por acaso se encontravam com os meus pareciam reprovar minha conduta. Uma enorme vergonha dilacerava meu peito. Eu acreditei! Todos esses anos não me ensinaram nada? Todas as decepções e dificuldades não me ensinaram nada? Depois de tudo, eu cometi o mesmo erro, e agora poderia me arrastar humilhada de volta para casa, onde contaria como fui enganada, e eles se apiedariam de mim e me abraçariam e diriam que tudo ficaria bem. E tudo ficaria. Mas porque estava bem desde o início.

Assim, a vergonha superando a auto-piedade, eu disse:

- Eu fui na casa da Lorena, mãe. Passei a tarde lá, conversando.

E ela nem reparou na minha mentira.

Atravessei a sala, entrei no meu quarto, fechei a porta atrás de mim. Sentei na cama e pensei por um longo momento se deveria chorar ou não. Conferi, pela milésima vez, o meu celular. Nenhuma ligação perdida, nenhuma mensagem, nada. Meu pai se esqueceu de mim. De novo. Mais uma vez. Como sempre.

A noite se passou normal. O jantar estava péssimo, mas minha mãe nunca cozinhou bem e eu já estava começando a me acostumar. Nós conversamos sobre trivialidades, ela foi assistir jornal enquanto eu tomava meu banho, e então eu fui dormir e fiquei ouvindo o barulho do chuveiro enquanto ela tomava banho. Saber que ela estava ali perto, ouvir o barulho da água, dos passos, da tetrachave sendo fechada, da porta do quarto dela se fechando... Tudo aquilo dava uma sensação tão grande de segurança e conforto. Lembrava os primeiros meses depois da separação, quando eu e ela moramos na casa da vó e nós dividimos a cama. Aninhar-me nos braços de minha mãe... Quase tão bom quanto provavelmente fora aninhar-se em seu útero.

Logo minha mente já vagava por outros assuntos. Pensei na escola, pensei nas coisas que tinha pra fazer, e logo minha mente já vagava pelas questões difíceis do meu relacionamento com certo menino... Adormeci pensando nele, e naquele momento, as piores coisas que eu era capaz de imaginar era a possibilidade de levar um fora. Estava de volta ao mundo dos problemas pequenos e menores, para não dizer infantis, enquanto protegia a mim mesma do mundo real que me aguardava lá fora.

Fui pra escola como em qualquer outra segunda-feira e nem me lembrei do fim de semana. Ninguém me perguntou nada, ninguém nem lembrava que eu podia ter família. Dentro da escola, tudo que interessava era fofocar sobre a vida alheia e aprender trigonometria. O Diogo era um idiota, mas ninguém sabia que o irmão dele havia se suicidado havia apenas um ano. A Carol traiu o namorado, mas ninguém se importava se ele usava cocaína e a tratava mal. O Fred estava usando maconha, mas ninguém nem lembrava que o Júlio bebia tanto que no último feriado entrou em coma alcoólico e acabou no hospital.

Naquele ambiente tão cheio de problemas, e ao mesmo tempo tão distante deles, eu me esqueci da realidade para me concentrar nos pequenos problemas artificiais, que, no fundo, no fundo, importam tanto quanto o grafite da minha lapiseira ser B ou 2B.

No quarto horário, pouco depois do recreio, o meu celular tocou. O professor me olhou com bastante raiva enquanto eu apertava o botão vermelho de desligar e entrava no menu para colocar no silencioso. Eu estava nervosa e envergonhada. E então, para piorar tudo, o celular tocou de novo. Era a minha mãe, mais uma vez. Eu desliguei de novo, e o professor me xingou e reclamou de celulares ligados e tomou meu celular. Chato como sempre. Eu não tive escolha. Ele desligou o celular, jogou-o na mesa e continuou a aula, enquanto eu ficava lá, morrendo de vergonha e preocupação. A turma toda havia rido com o toque, e muitos ainda não haviam tirado os olhos de mim.

Passam-se alguns minutos e alguém bate na porta.

- Eu poderia falar com a aluna Daniela Freitas?

Eu me levantei, confusa, e lá fora, a moça me disse:

- A sua mãe ligou para o colégio. Parece que seu pai sofreu um acidente de carro e está no hospital. Ela vem te buscar daqui a pouco e pediu para que já esperasse na entrada.

Eu me senti tão culpada. Meu pai não foi me ver porque sofreu um acidente. Como eu pude pensar que ele se esqueceu de mim? E por que eu não liguei para ele? Talvez eu pudesse fazer alguma coisa. Que tipo de filha eu era, me envergonhando de ter ido a lanchonete onde ele disse para eu espera-lo, pensando que era melhor nem ir, já que ele não iria de qualquer jeito. Eu deveria saber que, por mais que ele tenha cometido seus erros, ele ainda é meu pai e se importa comigo, e que as pessoas mudam. Para melhor.

Minha mãe me buscou, mas não falou nada. Só quando eu perguntei:

- O que aconteceu exatamente?

- Sua tia me ligou dizendo que seu pai estava no hospital.

- Sim, mas por quê? Disseram que ele sofreu um acidente de carro.

Ela me lançou um olhar assustador nessa hora, e eu não entendi.

- Você não está com pena dele, está?

- Ele está bem?

- Está sim.

- Mas mãe...?

- A sua tia, dramática daquele jeito, me assustou, se não fosse isso eu nem teria te buscado. Mas eu acabo de ligar pro hospital, e ele está bem. Muito bem, aliás. Mas é bom você vê-lo, não? Foi aniversário dele esses dias pra trás...

- Ele passou a noite no hospital, mãe? Ele está mesmo bem?

Ela me lançou de novo o mesmo olhar.

- Ele passou a noite na farra, bebeu, e sofreu um acidente quando voltava para casa hoje de manhã. Ele está bem. Mas não por muito tempo...

E eu soube naquele momento que não era de culpa, vergonha ou auto-piedade que eu precisava. Mesmo aquele grande problema não era nada além de uma desculpa esfarrapada para me sentir mal. E lá ia eu, ver meu pai, e esquecer de tudo que se passou, sorrir-lhe um sorriso sem significado e deixa-lo sentir a culpa de se esquecer de sua única filha...

05 junho 2008

- Não tem ameixa?

- Não.

- Por que não? Tinha no outro dia...

- Ah, é que o Brasil está fazendo um embargo contra o Chile, então a gente não consegue mais ameixas.

- Um embargo? Por quê?

- É que o Chile fez um embargo contra a carne brasileira, porque deu febre aftosa lá no Sul.

- Nossa, uma vaca tem febre e eu não como ameixa.

- É...

História real. Aulinha de economia no sacolão. XD

11 maio 2008

Era uma tarde cinzenta de segunda-feira. As nuvens tingiam o céu de diversos tons de cinza, desde o prata até o grafite. As pinturas dos prédios tomavam tons acinzentados, que combinavam bem com o cinza claro do cimento da calçada e o cinza escuro do asfalto das ruas. Entre várias pessoas (cinzentas), andava uma menina (com um humor tediosamente cinza).
Tinha o olhar distante, e pode-se perguntar se via por onde ia. Mastigava de boca aberta um chicletes (surpreendentemente rosa), andava com passos firmes, segurava a chave de casa em uma das mãos, e, enquanto andava, a manga de seu casaco roçando no resto dele fazia zip-zip.
Embora o som da cidade, com seus carros e suas pessoas, seus ocasionais pássaros e suas numerosas máquinas, chegasse a seus ouvidos, em sua mente os únicos sons eram as vozes - todas similares - que discutiam os mais diversos assuntos que lhe diziam respeito. No momento em que atravessou a rua da Bahia, por exemplo, estavam empenhadas em descobrir se a professora de Biologia lembraria do trabalho que pedira para o dia seguinte, ou se seria possível enrolá-la e assim ganhar mais uma semana. Quando parou na calçada da Bias Fortes, esperando o sinal fechar para os carros e abrir para os pedestres, o assunto já era um carro verde fosforescente que acabara de passar - como alguém teria coragem de sair em uma coisa daquelas? As vozes - que se assemelhavam em timbre, tom e altura, embora variassem em entonação - discorriam sobre as ruas, a escola, as pessoas, as coisas, o céu, e tudo que havia para discorrer. Incessantemente.
Quando o cinza dos céus decidiu por fim cair à terra, na forma de uma chuva acinzentadamente gelada, ela deixou de andar em linhas retas para procurar refúgios, lugares secos. Quando as gotas se tornaram numerosas o suficiente para acabar com estes abrigos, os passos dela se tornaram mais rápidos, até que a caminhada se tornou uma corrida. Subir um morro, correndo, debaixo de chuva, mostrou-se uma tarefa mais árdua do que ela esperava. Por fim, teve que se contentar com diminuir o passo e aceitar que o corpo ficasse encharcado. Suas vozes interiores se juntaram em coro e lembravam umas às outras todos os palavrões que conheciam.
E então, ofegante, encharcada, tremendo, xingando, e mais cinza do que nunca, ela chegou ao topo do morro e lá, na esquina com a Aimorés, esperavam duas meninas e um menino.
"Até que enfim!"
"Por que demorou?"
"Nós já compramos os ingressos, o filme começa daqui a pouco."
"Vamos voltar pro cinema, então?"
E ela foi, encharcar as poltronas cinzentas, irritando os funcionários de humor cinza, assistir um filme cheio de cores.

28 março 2008

Eu não chorei quando elas choraram.
Eu tampouco chorei antes delas.
Talvez eu seja mais forte, mais dura, mais resistente.
Talvez eu seja mais fraca, mais só, mais covarde.
Mas quando eu pensei que minha garganta deveria doer, ela não doeu.
Quando eu pensei que devia sufocar um grito, não havia grito para sufocar.
Aonde estão os sentimentos que estavam aqui?
Eu jurava que podia sentir medo. Os músculos tensos, o coração disparado. Mas nem o medo me fez chorar.
A verdade é que o cadáver não pode mais temer a morte.
Não pode sentir a frieza de sua carne, não pode perceber a paralisia de seus movimentos.
Se estou perdida longe de mim, como posso saber o que sinto? Como posso chorar minhas lágrimas, ou gritar com a minha dor?
A apatia devora a minha carne morta.