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06 junho 2012
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05 março 2011
Caminho para a borda da estrada, meio encolhida de frio, me agarrando a um pedaço de tecido velho que deixaram comigo. Um último resto de calor e dignidade. Me encolho, ando abaixada, de cócoras quase, os joelhos dobrados, a coluna inclinada para a frente, o braço direito segurando firme a fonte de calor contra o corpo, protegendo meus seios, minha barriga, enquanto o outro braço está caído, pronto a servir de apoio se eu cair no chão, ou girar como contra-peso, se eu precisar agir.
Meus pés no mato alto, capim, não o toque gentil de grama. Uma pequena descida, do nível da estrada até o nível do campo, ainda antes da cerca. Mantenho a distância do arame farpado, mas não posso também ficar no meio da estrada, frágil diante de qualquer carro em disparada.
Não sei se devo esperar por ajuda no canto da estrada. Se alguém me visse nesse estado, fraca, suja, nua, o que garantiria que me ajudaria? O que impediria de me ferir, de me torturar, de usar de uma crueldade cínica e sádica em mim? A ocasião faz o ladrão, dizem.
Eu me encolho, agarro o mato com as mãos, busco algum refúgio no calor de meu próprio corpo. Não posso esperar, a morte é certa. O frio e, mais tarde, a fome e a sede, acabarão por me matar. Supondo, é claro, que serpentes ou outros animais não o façam antes. Minha única esperança é andar à beira da estrada e esperar que apareça alguma coisa. Algum abrigo, alguma roupa pendurada no varal de uma casinha vazia, alguém que pareça confiável, algum açude onde eu possa, enfim, me afogar.
10 novembro 2009
Ela estava escondida num canto atrás do palco e olhava ele ali em cima, se preparando para o último ensaio. Faziam dois meses que eles tinham terminado. Ele tinha ficado com outras mulheres e ela, com outros homens. Ela não sentia ciúmes dessas aventuras. Também achava que ele não sentia. Mas não havia nenhum momento em que ela o visse tocando e não sentisse a garganta arder com este sentimento amargo.
Ela queria competir pelo afeto dele com outras mulheres, queria poder disputá-lo, queria vê-lo amar alguém, mesmo que não fosse ela. Se ele amasse outra, seria a prova de que ele era capaz de amar, e isso bastaria. Ela ficaria decepcionada de não ser a escolhida, mas o sofrimento não seria tanto. O que a machucava era a plena consciência de que sua rival não era humana, nem mesmo viva, e portanto não lhe era possível competir.
Os outros membros da banda estavam prontos. Eles riam e conversavam enquanto ele ajeitava a corda sol novamente. Ele levantou-se, disse que estava pronto, o baterista contou até três e eles começaram a tocar. Ela escondeu-se melhor atrás do palco, fechou os olhos e ouviu atenta. O som realmente era bom e nada parecido com a da Les Paul. Havia alguma coisa de único naquela guitarra. Nem todo o dinheiro do mundo compraria uma melhor para ele. Nem todo o amor do mundo poderia substituir aquilo.
Ela mordeu os lábios nervosa. Quando eles haviam começado a se ver, ele tinha dado um fora em uma menina que era louca com ele, mas que queria mudá-lo completamente, transformá-lo em outra pessoa. Ele costumava ser bem discreto, mas contara essa história uma noite, após algumas garrafas de cerveja. Era isso que havia a fascinado nele, a recusa a se perder, a clara noção de identidade que ele tinha. E agora, como uma súbita revelação, ela se dava conta de que não o havia amado como sempre dissera, mas que apenas tivera a fixação por fazê-lo desistir disso. Encarara o relacionamento deles como um jogo, um desafio no qual ela poderia vencer sobre a personalidade dele. E não percebera que o som único daquela guitarra, o carinho que ele tinha por ela e por tudo que se relacionava à música, era parte dessa personalidade. Ele não era o tipo de pessoa que venderia sua alma por nada desse mundo, nem amor nem dinheiro, nem sexo nem drogas, nem nada.
Ela saiu dali, ansiosa para estar longe quando eles saíssem e com a forte necessidade de encontrar algo que a distraísse da vergonha que agora sentia.
Ela não sabia que ele já a havia visto. Ela não sabia que ele sabia que ela via os ensaios sempre. Ela não sabia que o coração dele batia mais rápido nessas situações, que a saudade apertava. Ela não sabia que, a cada noite, trancado em seu quarto, ele tocava a Les Paul. E ela não sabia o quanto ela o havia destruído.
11 março 2009
Hoje, faz um ano que eu moro aqui. A cidade lá embaixo segue como sempre. Daqui de cima, parecem pequenas formiguinhas e, de fato, se movem como tais. Organizadamente caminhando pelas calçadas, pequenos pontinhos coloridos mais ou menos do mesmo tamanho vestindo roupas mais ou menos iguais e feitas mais ou menos do mesmo material.
Viro mais um copo do velho uísque enquanto contemplo a rua abaixo. O líquido queima minha garganta e, por um instante, disfarça essa coisa estranha que sinto nela. Algo que não me lembro mais o que significa, mas que certa vez senti. Quando mesmo?
O meu apartamento fica na cobertura. É bem grande e espaçoso, bastante confortável. É meu então não tenho que pagar aluguel, mas já há algum tempo que não pago nem o condomínio nem os impostos. Algumas semanas atrás, alguém começou a vir e tocar na campainha. Eu não atendi. Deve ter pensado que eu tinha saído, pois foi embora e voltou no outro dia. Repete a cena. Repete. Repete e repete. E mais uma vez. Até que um dia vem quando estou ouvindo um dos meus discos, e se dá conta de que eu estive aqui dentro o tempo todo. Nunca vi alguém bater na porta com tanta força. E os gritos! Embora eu não tenha entendido nada. Provavelmente eram sobre os impostos. No que mais as formigas pensam?
O barulho da cidade parece irregular. Alguns o pensariam caótico. Mas eu vou além dos pequenos pensamentos da vida diária. Eu encontro os padrões. Eu vejo a figura de longe. Enxergo a caverna de fora, enquanto as formigas encaram as sombras na parede. Aliás, nem isso. Formigas caminham na sombra da mesa, sem levantar suas cabecinhas desproporcionais para olhá-la. Eu, já, estou de pé, grande e imponente, diante da mesa, minha mão sobre ela, o copo de uísque ao lado. É por isso que eu sei que as buzinas, os gritos, os passos, o som dos motores, o ruído incessante do vento empurrado pelos corredores de prédios... Tudo isso segue um padrão. Eu vejo esse padrão. Eu sei que a cidade é regular como uma calculadora. Não importa quantas vezes você aperte o um, o mais, o um e o igual, o visor sempre mostrará dois.
A sensação estranha na garganta de novo. Outro gole de uísque e ela se vai, como uma bruxa queimada numa fogueira alcoólatra.
Largo o copo sobre a mesa e meus pés me conduzem pela sala. É tudo tão regular que posso dançar ao ritmo humano. Meus pés descalços deslizam pela madeira, meus braços se abrem, minha cabeça se ergue e meus olhos encaram o teto manchado das minhas experiências. Eu giro, eu giro, e meu equilíbrio é lançado pelos ares. Caio no chão e sinto com prazer a dor na minha bunda. Sou tão decadente. E caótico. A cidade é regular, com seus elevadores, seus semáforos, suas calçadas, suas roupas, seus horários. As coisas seguem padrões pré-estabelecidos, fixos. Não há pessoas decadentes e caóticas dançando descalças pelo asfalto com eu danço no chão da minha casa. E se houver, tudo conspirará para colocá-la, limpa e arrumada, em seu lugar correto, na hora certa, em sua atividade maçante e regular.
Mas o que é isso na minha garganta? Talvez eu devesse ir ao médico descobrir se estou doente. Embora eu não queira sair da minha cobertura... Posso chamá-lo, e ele poderá vir e me dizer “diga ah” e eu abrirei minha boca enorme e ele verá meu esôfago e meus intestinos e dirá “você está doente” e me dará uma receita com um nome estranho de remédio que eu não comprarei porque não vou sair do meu apartamento para ir a uma farmácia comprar alguma droga que uma formiga diplomada receitou.
Eu queria sair onde estão as pessoas de verdade.
Quando era jovem, certa vez eu fui acampar e encontrei um velho que morava numa cabana no meio da montanha. Ele tinha uma pequena roça e alguns animais que criava, e nunca ia a cidade. Vestia roupas antigas, surradas e sujas, e era rude como uma besta. Seus olhos eram negros como o céu em uma noite nublada de lua nova, mas todo o ódio que havia neles os fazia parecerem brasas vermelhas e quentes. Nós éramos cinco jovens recém-saídos da faculdade, brancos e de classe média, frágeis e delicadas formigas operárias, no auge da obediência às regras do formigueiro. E ele olhou para uma amiga minha, uma especialmente bonita, e naquele rosto antigo, marcado e feroz, podia-se ver o desejo que uma fera sente ao ver algo que pode destruir. Ela saiu de lá cheia de nojo, e muitos comentários sobre como ele era machista e vulgar foram feitos, inclusive por mim.
Quatro anos atrás, eu voltei lá com a família que eu havia criado para mim. Depois de passeios por cachoeiras e caminhadas pelas montanhas, eu encontrei a casinha. Estava mais suja do que nunca e muito empoeirada. Depois de chamar algumas vezes, eu criei coragem e entrei. Encontrei uma caveira no chão da sala, com alguns ossos espalhados. Senti quase um início de piedade quando pensei que ele havia morrido sozinho. Mas eu ainda não entendia. Ainda que estivesse mais velho, eu ainda era a mesma formiga de antes.
Minhas mãos tremem levemente enquanto acendo meu cigarro. É o meu último. Eu guardei tantos maços e economizei tanto e agora está no fim. Quando trago, a fumaça esconde a sensação estranha na garganta. Eu sei como o velho se sente. Ele não era feroz, vulgar, machista ou solitário. Nós havíamos invadido seu espaço e ele se defendeu como pôde. Era simples demais para fazer de outra maneira. E agora, quando me lembro de seus ossos, não sinto mais a velha piedade. É mais como uma inveja, uma profunda inveja. Deviam ter se passado meses, talvez até anos, desde que ele morrera até eu encontrá-lo. Se eu morrer aqui, o cheiro incomodará os vizinhos e eles chamarão a polícia. Em uma semana, antes que meus ossos estejam limpos, estarei debaixo da terra, em algum cemitério qualquer.
Mais uma prova da regularidade das formigas: ouço passos do outro lado da porta. Meu colega desconhecido veio novamente bater na porta. A sensação estranha na garganta se torna mais forte do que nunca e eu bebo no bico da garrafa suas últimas gotas. Ele grita alguma coisa. Nem sei mais o que significam suas palavras ou se é voz de homem ou mulher. Estou bêbado demais ou será que passei tempo demais aqui dentro?
Caminho até a janela e a abro. Lá embaixo, tudo segue regular. Muitas pessoas trabalham, mais algumas andam na rua, algumas transam, outras morrem. Animais! Bando de animais, e, no entanto, abandonaram suas vidas e almas para se tornarem máquinas! Pegaram o pior de cada, se tornaram aberrações horríveis! Onde, afinal, onde estão as pessoas de verdade?
Um estrondo atrás de mim. Quando olho, a porta está arrebentada e algumas formigas me olham. Se ainda entendo dessas coisas, talvez aquelas ali sejam da polícia. Talvez não, quem disse que entendo qualquer coisa?
Gritam alguma coisa. Uma delas parece dizer meu nome. Dou uma leve tossida e eles se calam.
“Ano passado, meu filho morreu durante uma viagem pela floresta, na Bolívia. Enquanto ele estava desaparecido, eu encontrei uma carta que ele havia me deixado, dizendo que tinha a intenção de morrer lá. Ele dava todos seus motivos e explicava ao fim que queria que eu seguisse em frente e que deixasse seu cadáver em paz. ‘Os mortos merecem seu descanso! Deixe meus ossos onde eu escolhi descansá-los!’ ele dizia. Quando encontraram o cadáver à beira de um rio, eu pedi que não o tocassem. Mas seguir em frente, isso eu não posso fazer. Meu filho devia morrer depois de mim. Devia ser eterno para mim. Não posso voltar a minha vida alienada depois que minha venda me foi arrancada.”
A dor na garganta atrapalha a falar, mas tudo saiu claro, acho. Algo molhado e quente desliza pela minha bochecha enquanto me lembro do que é chorar.
Sento-me na janela e deixo o corpo cair para fora. Posso ver as formiguinhas pulando em minha direção, as mãos estendidas, gritando. Posso sentir o vento contra meu corpo. Lá embaixo há mais formiguinhas. Talvez com um corpo na rua, elas tenham que descobrir outro caminho.
21 janeiro 2009
"Acorda, acorda!" Javier abriu dois olhos preguiçosos enquanto sentia o corpo sendo sacudido. A voz do colega parecia desesperada. Algo havia dado errado? "Eles mataram o capitão! Querem matar o resto de nós!" O quê? "Vamos, acorda! Temos que cair fora daqui!"
Em um só gesto e ele já estava sentado, terminando de calçar as botas. "Mas do que você está falando? Estava tudo bem!" "E eu lá entendo a cabeça desses selvagens? Só pega tudo que você puder e vamos embora! Eles querem nos matar!" E Pablo saiu, deixando as palavras no ar. Agora que estava bem desperto, Javier podia sentir a movimentação no ar, ver as luzes tremulando do lado de fora e ouvir gritos, cada vez mais freqüentes, de pelo menos dois tipos: as vozes assustadas de homens espanhóis e os berros inumanos dos selvagens. Não havia mesmo tempo a perder.
Pegou tudo que viu pela frente, fossem jóias, estátuas, moedas ou qualquer outra coisa que parecesse brilhar levemente sob a luz amarelada de uma tocha. Saiu pela porta e tentou andar o mais rápido que podia, tropeçando aqui e ali. Pela fresta de uma porta, viu o olhar assustado de uma criança nativa. Ela tinha olhos mais negros que a noite, olhos que pareciam sugar para dentro de algum pesadelo infantil... olhos de demônio, como Padre Miguel dizia.
Alguns gritos vieram por trás. Os selvagens logo estariam ali. Começou a correr, mas suas botas enfiavam muito fundo na lama e era difícil avançar. Descobriu que podia ir mais rápido se andasse como uma garça, mas aquilo o fez sentir-se ridículo. Um colar de ouro caiu na lama e Javier abaixou-se para pegá-lo.
"Javier? Venha logo, temos que chegar ao navio!"
Mais algumas moedas caíram. Se chegasse de mãos vazias, provavelmente Hernan lhe diria que seria melhor se tivesse morrido. Tentou novamente seguir em frente. A terra ficava mais firme e era mais fácil andar. A confiança voltou e Javier tentou andar mais rápido, quando ouviu novos gritos. Eram vozes selvagens e brutais, que, apesar de usarem outra língua, pareciam evocar torturas e sacrifícios humanos.
Apressou o passo e tropeçou. Levantou-se, abaixou-se de novo para pegar as coisas que caíram, tentou correr. O peso do ouro tornava a atividade difícil. As vozes atrás se aproximavam. Ao longe, podia ver um de seus companheiros ter a cabeça decepada por um índio forte e altivo.
Dizem que no sul essas feras chegavam até mesmo a comer carne humana. Mas esses eram diferentes. Eram honrados, não atacavam pelas costas e não matavam os inimigos em batalha. Só nos sacrifícios, só para os deuses. Hernan queria se aproveitar disso para derrotá-los. É mais fácil derrotar tolos como esses. O que ele estaria pensando agora que seus soldados caíram em uma emboscada desses bobos?
Escorregou, e dessa vez foram ao chão boa parte das coisas que levava consigo. Abaixou-se, tateou a terra, juntou todo o ouro que podia ver à luz da lua em um único monte. Forçou a vista tentando encontrar mais alguma coisa. Sob uma luz de tocha, viu uma moeda grande que caíra um pouco mais longe das outras. Sob uma luz de tocha. Sob uma luz de tocha, Javier levantou a cabeça. Olhos negros encontraram com os seus. Uma arma estranha, parecida com uma espada rústica, ergueu-se. Sob uma luz de tocha, Javier morreu.
25 outubro 2008
Have you ever felt like you needed to go on vacation?
It's been a time now that this is all I think about.
I'm not talking about laziness, having nothing to do so I can do all the stupid things I do when I've got nothing to do. I'm talking about getting rid of all my vices - of getting the time I need to force me to work.
I'm in great need of a PLAN.
I need to be disciplined at least once in my life.
Like a lil' robot. I need to do what I'm programed to do. And I gotta be my own programer.
I gotta review, and then plan, and then, do it.
Does anybody think I got what it takes?
29 setembro 2008
Eva corria há anos pelo vale. Não conhecia cada parte dali, cada pessoa, cada besouro, cada peixe, cada arbusto. Mas conhecia o suficiente para se entediar e querer ir além. Seus companheiros não se sentiam assim. Depois de um tempo, as coisas ficavam chatas, mas enfrentar as montanhas e sair do vale seria estúpido. Afinal, todos sabiam o que havia lá e não era algo que se pudesse enfrentar. O fato de que cada um acreditasse que existia algo diferente não impedia que o medo e desinteresse fosse geral. Quer houvessem leões ou um abismo, fosse um inferno gelado ou um lago sem fim, não era nada para os habitantes do vale.
Algumas pessoas ousaram sair. Algumas voltaram, outras não. Mas cada uma que voltava, contava uma história diferente e incompatível.
Ninguém, no entanto, entrava no túnel. Eva não sabia porquê, mas ninguém queria ir lá.
“Para quê? Só deve haver terra e sujeira lá!”
Mas, agora, ela estava prestes a entrar. Não porque quisesse, mas porque, sem querer, deixara seu casaco cair lá. Não poderia enfrentar as montanhas geladas sem ele.
“Esqueça isso! Você não deveria viajar mesmo!”
Era isso. Ela respirou fundo e entrou.
Seus pés afundavam na imundice e seus olhos custavam a se acostumar à falta de luz. Ela tropeçou e se apoiou na parede. Sentiu lama e sujeira úmidas grudarem em seus dedos. Ouviu um rosnado à frente.
Forçando a vista, viu um urso deitado, segurando seu casaco debaixo da pata. O túnel continuava atrás dele e havia alguma luz fraca, assim como algo brilhante nas paredes e o ruído distante de água. Ao mesmo tempo em que sua curiosidade aumentava, o animal ergueu-se rosnando ameaçadoramente.
Ela saiu correndo e tropeçando e chegou de volta a entrada. Sentou-se em um tufo de grama sob o sol forte e ficou ali, tremendo e soluçando, por um longo tempo. Seu plano de sair do vale foi adiado por anos e ela nunca esqueceu do vislumbre de luz no fim do túnel.