"A indústria do espetáculo e da ordem imaterial me deve dinheiro. Não vou fazer acordos com ela até eu ter o que me é devido. Por todas as vezes em que apareci na TV, no cinema ou no rádio, como transeunte casual ou como elemento da paisagem, e minha imagem nunca foi paga; por todas as vezes em que meus rastros, inscrições, grafites, fotografias, disposição de objetos no espaço (como em acidentes catastróficos ou espetaculares, atos de vandalismo, fraudes imobiliárias etc.) foram utilizados sem o meu conhecimento em shows e telejornais; por todas as palavras e expressões de impacto comunicativo que eu criei nos bares da periferia, nas praças, nos muros, nos centros sociais, que passaram a ser siglas de programas, poderosos slogans publicitários ou nomes de sorvetes embalados, sem eu ver um tostão; por todas as vezes nas quais meu nome e dados pessoais foram colocados para trabalhar de graça dentro de cálculos estatísticos, para adequar à demanda, definir estratégias de marketing, aumentar a produtividade de empresas que não poderiam me ser mais alheias; pela publicidade que faço continuamente usando camisetas, mochilas, meias, casacos, sungas, toalhas com marcas e slogans comerciais, sem que meu corpo receba uma remuneração como outdoor publicitário; por tudo isso, e muito mais ainda, a indústria do espetáculo integrado me deve dinheiro!
Entendo que seria difícil calcular singularmente o quanto me devem. Mas isso não é de jeito nenhum necessário, pois eu sou Luther Blissett, o múltiplo e múltiplice. E tudo que a indústria do espetáculo me deve, deve aos muitos que eu sou, e me deve porque eu sou muitos. Nesse sentido, podemos fechar um acordo para uma remuneração por empreitada geral. Vocês não terão paz até eu ter o dinheiro! MUITO DINHEIRO PORQUE EU SOU MUITOS: RENDA DE CIDADANIA PARA LUTHER BLISSETT!"
20 dezembro 2006
09 dezembro 2006
E se um dia a gente acordasse e descobrisse que tudo não passou de um sonho?
Eu não me surpreenderia.
O mundo é tão louco, que não seria uma grande surpresa se fosse um sonho. Olhe em torno! O que há de plausível a sua volta?
“Vivemos” numa sociedade louca, que sobrevive para consumir ao invés de consumir para sobreviver. Dizemos que dinheiro não traz felicidade, e que isso é tudo que todos querem, mas quantos não desistem da felicidade pelo dinheiro? Invertemos a ordem das coisas. O produto é mais importante que a pessoa, e a pessoa não passa de outro produto.
Somos covardes. Dizemos que protegemos nossa vida, mas vivemos para nos proteger.
E nessa ânsia por “segurança” acatamos toda ordem vinda de cima. Todo preconceito que nos foi passado desde nossa tenra infância para que soubéssemos como “viver” nessa sociedade louca. Você já se perguntou por que as ruas amplas são para os carros e as calçadas estreitas para os pedestres, se poucos podem ter carros e, pela lei de trânsito, pedestres têm prioridade? Por que todos pensam que meninas de cinco anos jogam futebol pior que meninos da mesma idade e com a mesma musculatura? Por que pessoas que não desejam ter filhos têm que se preocupar com o sexo de seus companheiros? Por que não se pode andar nu na rua? Por que crianças e adolescentes têm que ir à escola, mesmo sabendo que a maioria dos colégios não tem nada a lhes acrescentar? Por que temos que estudar para uma prova que serve para escolher quem vai estudar? Por que menores de idade não podem beber? Por que drogas como o álcool e o tabaco são permitidas enquanto todas as outras drogas são proibidas? Por que devemos votar? Por que não podemos desacatar a autoridade? Por que existe autoridade?
Eu poderia pensar que simplesmente alguém fez lavagem cerebral em toda a humanidade para que aceitássemos tudo tão passivamente. Talvez isso explicasse, de forma bem forçada, como algo tão louco pode existir. Mas não é só a sociedade que é ilógica.
Cada indivíduo que a compõe também é. Quem nunca se contradisse? As pessoas dizem ter princípios que as regem, mas não perdem tempo em manipulá-los até que sirvam a seus desejos. Ou pior, simplesmente os negam. Agem de formas imprevisíveis demais, ou ao contrário, seguem a massa, sempre dizendo que estão apenas fazendo o que realmente desejam. Abdicam de sua identidade para defendê-la, ou, ao contrário, defendem com unhas e dentes uma identidade falsa e fragmentada. No fim das contas, quem poderia explicar as complexidades da mente?
E como se os seres vivos sobre esta Terra já não fossem insanos o suficiente, a própria existência do mundo é inexplicável. Quem saberia explicar o tempo? O vemos como algo tão natural que nem nos questionamos sobre sua existência. Nem nos damos ao trabalho de definir este conceito. Como pode existir um antes, um agora e um depois? E de que é feita a matéria? Já descobrimos as moléculas, os átomos, os prótons e elétrons, e muitas partículas ainda menores. Estaremos condenados a seguir dividindo infinitamente a matéria em partículas cada vez menores ou chegaremos a algo indivisível? E como poderia ser possível algo indivisível?
Nada, absolutamente nada, nada faz sentido.
Se eu acordasse dentro de instantes. E se eu lembrasse que nada é louco como estou sonhando que é. Se eu abandonasse o sono e visse uma outra realidade.
Eu não me surpreenderia.
Eu não me surpreenderia.
O mundo é tão louco, que não seria uma grande surpresa se fosse um sonho. Olhe em torno! O que há de plausível a sua volta?
“Vivemos” numa sociedade louca, que sobrevive para consumir ao invés de consumir para sobreviver. Dizemos que dinheiro não traz felicidade, e que isso é tudo que todos querem, mas quantos não desistem da felicidade pelo dinheiro? Invertemos a ordem das coisas. O produto é mais importante que a pessoa, e a pessoa não passa de outro produto.
Somos covardes. Dizemos que protegemos nossa vida, mas vivemos para nos proteger.
E nessa ânsia por “segurança” acatamos toda ordem vinda de cima. Todo preconceito que nos foi passado desde nossa tenra infância para que soubéssemos como “viver” nessa sociedade louca. Você já se perguntou por que as ruas amplas são para os carros e as calçadas estreitas para os pedestres, se poucos podem ter carros e, pela lei de trânsito, pedestres têm prioridade? Por que todos pensam que meninas de cinco anos jogam futebol pior que meninos da mesma idade e com a mesma musculatura? Por que pessoas que não desejam ter filhos têm que se preocupar com o sexo de seus companheiros? Por que não se pode andar nu na rua? Por que crianças e adolescentes têm que ir à escola, mesmo sabendo que a maioria dos colégios não tem nada a lhes acrescentar? Por que temos que estudar para uma prova que serve para escolher quem vai estudar? Por que menores de idade não podem beber? Por que drogas como o álcool e o tabaco são permitidas enquanto todas as outras drogas são proibidas? Por que devemos votar? Por que não podemos desacatar a autoridade? Por que existe autoridade?
Eu poderia pensar que simplesmente alguém fez lavagem cerebral em toda a humanidade para que aceitássemos tudo tão passivamente. Talvez isso explicasse, de forma bem forçada, como algo tão louco pode existir. Mas não é só a sociedade que é ilógica.
Cada indivíduo que a compõe também é. Quem nunca se contradisse? As pessoas dizem ter princípios que as regem, mas não perdem tempo em manipulá-los até que sirvam a seus desejos. Ou pior, simplesmente os negam. Agem de formas imprevisíveis demais, ou ao contrário, seguem a massa, sempre dizendo que estão apenas fazendo o que realmente desejam. Abdicam de sua identidade para defendê-la, ou, ao contrário, defendem com unhas e dentes uma identidade falsa e fragmentada. No fim das contas, quem poderia explicar as complexidades da mente?
E como se os seres vivos sobre esta Terra já não fossem insanos o suficiente, a própria existência do mundo é inexplicável. Quem saberia explicar o tempo? O vemos como algo tão natural que nem nos questionamos sobre sua existência. Nem nos damos ao trabalho de definir este conceito. Como pode existir um antes, um agora e um depois? E de que é feita a matéria? Já descobrimos as moléculas, os átomos, os prótons e elétrons, e muitas partículas ainda menores. Estaremos condenados a seguir dividindo infinitamente a matéria em partículas cada vez menores ou chegaremos a algo indivisível? E como poderia ser possível algo indivisível?
Nada, absolutamente nada, nada faz sentido.
Se eu acordasse dentro de instantes. E se eu lembrasse que nada é louco como estou sonhando que é. Se eu abandonasse o sono e visse uma outra realidade.
Eu não me surpreenderia.
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